terça-feira, 22 de dezembro de 2009
tudo não passa de uma ilusão
Não esperava, mas magoaste o meu coração.
Não consigo perceber a razão,
Porquê mais uma desilusão?
Acredito que isto não tenha vindo em vão.
Onde errei?
Já não sei o que farei.
Sei que sem ti não ficarei.
Sinto-te distante.
O sentimento desaparece num instante.
Já não queres estar comigo,
Mas eu não te quero ver apenas como um amigo.
Na minha vida dizias que para sempre ficavas,
Até mesmo quando te irritavas.
E nos beijos que me davas,
Eu via uma cara que piorava.
Deixaste de beijar
E a mão me dar.
Digo-te: Assim não dá para aguentar.
Fazias o meu respirar.
Agora não passa o ar e sinto que isto não vai durar.
De pé não nos vamos conseguir manter.
Não tenho vontade de viver, apenas de morrer.
Queria viver um dia de cada vez,
Um dia sem porquês.
Mas sem ti,
Isso não passa de sonhos que nunca irei alcançar.
Talvez uma nova oportunidade me pudesses dar.
Dizes para seguir em frente
Mas sem ti o dia é diferente.
Não faz sentido.
Fico com o pensamento perdido.
Perdido contigo.
Não consigo me concentrar.
É como se estivesse num castigo
Em que nem posso sequer falar.
A vida era um paraíso,
Agora é como a de um preso.
Escura e sombria.
Sem noite nem dia.
Não imagino.
Não sorrio.
Agora estás chateado?
Devias ter pensado duas vezes antes de me teres magoado.
Basta de mentiras e sofrimentos.
Basta de histórias e maus momentos.
Deixa-me viver a minha vida,
Sei que tu nem sempre a viveste.
Não era esta a única saída,
Foste tu que escolheste.
(texto ainda por acabar)
domingo, 20 de dezembro de 2009
Vida
Vida.
Injusta. Feliz. Infeliz. Triste. Alegre.
Quem dita as regras dela?
O que a faz ser assim?
Porquê enfrentar tantos perigos e tantos desafios?
Passar barreiras.
Esquivar obstáculos.
Saber transpor os problemas.
Combater doenças.
Conhecer pessoas.
Esquecer outras.
Desilusões. Espanto. Admiração. Amar. Odiar.
Porquê estes sentimentos?
Viver momentos.
Sofrer julgamentos.
Chorar por juramentos.
Sair imune.
Lembrar. Esquecer. Fingir. Ignorar. Recordar.
Como evitar o abismo?
Perdoar, mas fica tudo no mesmo.
O fim.
O tão falado fim.
O destemido fim.
O terrível e único fim.
Medo. Dor. Culpa. Arrependimento. Terror.
Começam as dúvidas.
Como serão as coisas do outro lado?
Haverá outra vida?
Ou será que já se está de partida?
Sentir-se-á dor?
Ou apenas um pequeno ardor?
Talvez nem se sinta nada.
Apenas uma pequena pontada.
Como será o coração parar, e deixar de respirar?
Ver-se-á uma luz?
Terá de se caminhar para ela?
Ou será isto apenas uma conversa de janela?
Lembrar-se-á o passado?
Ou será tudo eliminado?
O céu.
O inferno.
Existem?
Ou será que apenas mentem?
Irá se estar ocupado?
Ou tudo será pecado?
Será que há tempo para pensar um bocado?
Estar-se-á apenas a divagar?
Ou será que existirá mesmo um lugar?
Não se consegue perceber.
Não se consegue entender.
Qual é afinal a sensação de morrer?
Qual é afinal o local onde se irá permanecer?
Poder-se-á ser a estrela mais brilhante?
Ou irá o sonho se desfazer num instante?
Sentirá saudade?
Ou irá suprimir como se de nada tratasse?
Irá se esquecer?
Ou irá para sempre reconhecer?
Como irá reagir?
Chorar ou rir?
E o corpo?
Guardar?
Enterrar?
Talvez cremar…
Se calhar nem se irão preocupar.
O dia em que tudo acabar,
O que se irá sentir,
O que irá acontecer,
O que há,
Ninguém sabe.
Apenas saberá quando viver
O momento em que está a morrer.
sábado, 19 de dezembro de 2009
A vida sem dúvidas que nos prega algumas partidas.
Pensamos que algumas coisas só acontecem aos outros. É mesmo nessas situações que essas mesmas coisas nos acontecem. E o pior, é que acontece a alguém que nós amamos muito de verdade.
Numa manhã como outra qualquer, o pequeno-almoço foi-lhe levado á cama. Tinha sido operado ao joelho há pouco tempo e não podia fazer esforços. Come o pão e o leite e depois é lhe levado o comprimido e um bocadinho de água. Vai com a mão direita com o comprimido á boca mas esta cai e nunca mais se levanta. Tenta falar a pedir ajuda mas a voz não saia. Quando a sua mulher passa ao pé da porta do quarto, este com a outra mão, pede-lhe para lá ir. A mulher vê que algo não está bem com ele e chama o seu filho. Este vai lá e pede para o seu pai falar. Nem uma palavra diz. Pede para lhe dar um abraço mas só um dos braços se mexeu.
Nesse momento ficam assustados e decidem ligar á outra filha. Esta fica assustada com o que lhe haviam contado e diz para ligarem imediatamente para o 112.
Assim foi dito e assim foi feito.
Quando o INEM chegou estiveram a vê-lo e levaram-no. Ele nem quis ir na cadeira de rodas, foi a andar, ainda que a perna direita mal se mexesse.
Foi para o Hospital Fernando da Fonseca (mais conhecido como Amadora-Sintra) e as piores das hipóteses foram confirmadas: tinha tido um AVC, um Acidente Vascular Cerebral, e que tinha sido forte. Era a única coisa que se sabia.
A Filha imediatamente liga para o seu marido e estes saem dos trabalhos e vão para o hospital. O seu pai estava num corredor, ao frio, numa maca com um AVC grave e ainda não tinha sido atendido. Tinha-se de esperar que lá fosse um médico, mas se dependesse disso, nunca mais era atendido e ficava para lá num canto esquecido e bem que podia morrer.
Nesse mesmo dia, estava eu na escola. Era uma quinta-feira. Estava a ir para uma actividade depois das aulas quando uma vigilante me chama a dizer que tenho que ir urgentemente embora e que o meu pai estava lá fora á minha espera. Quando chego ao pé do meu pai, este diz-me o que aconteceu e eu fico em estado de choque. Custa a crer que uma pessoa que era tão animada e que não parava quieta estivesse assim imóvel e presa no silêncio.
Tive que ir para casa porque os meus pais acharam melhor eu não ir para o hospital. Estava destroçada e sem saber o que fazer, totalmente desamparada.
Dois dias foi o tempo que ele esteve no SO á espera de um médico, no corredor, DOIS DIAS! Apanhou uma infecção á causa disso e só foi atendido por um médico porque o meu pai trabalha num hospital e vestiu a bata e foi lá para dentro tentar mover montanhas. Quando encontrou um médico este disse-lhe que já deveria ter sido visto por um neurologista e que o AVC tinha sido muito grande. Mandou logo um médico lá ir.
Nesse mesmo dia passou para uma enfermaria porque não havia lugar em neurologia.
O lado esquerdo do cérebro estava todo afectado. Puseram-no a sonda. Mal abria os olhos. Não falava e o braço e perna que conseguia mover estavam atados. Cenário horrível.
Esteve 3 semanas no hospital, as melhoras eram poucas. Ao fim dessas mesmas 3 semanas é mandado para casa. O hospital empresta uma cama e diz que este necessita de cuidados especiais. Era alimentado por sonda.
Na primeira noite em casa, ele retira a sonda tem que lá ir um enfermeiro pô-la outra vez, mas este fica com pena do homem e decide experimentar lhe dar de comer. Felizmente, este conseguiu comer e não foi preciso colocar a sonda.
Agora lá está ele, na sua cama (levantando-se de vez em quando para ir para a sala com a ajuda do filho e de uma cadeira de rodas), a comer coisas líquidas e passadas, sem poder falar, andar. Reconhece as pessoas e dá-lhes beijinhos. É carinhoso para quem conhece. Está ciente da sua situação.
Mete impressão ver como há pessoas que não dão o devido valor aos membros da sua família, que não aproveitam todos os momentos com estes mesmos. A vida é demasiado preciosa para ser desperdiçada.
A vida sem dúvidas que nos prega algumas partidas.